Birras, outra vez?

Já lemos inúmeros artigos sobre birras, alguns até nos fazem crer que as mesmas não existem. Enfim, serão garantidamente motivadas por algo, no entanto, permanece no caldeirão de uma bruxa bem misteriosa e longínqua, a poção mágica para acabar com esta guerra.

Vamos começar pelo início: quando e porquê começa uma birra? E a resposta é: sempre que não nos dá jeito nenhum. Em casa, quando estamos atrasados ou com compromissos para cumprir. Quando são horas de ir comer ou dormir. Na rua, quando temos muitas pessoas a olhar para nós e sobretudo em situações em que nós já estamos sob alguma tensão.

As birras são para encarar de frente pois não existe grande forma de as eliminar, poderemos sim tentar compreender o que leva uma criança a ter que expressar a sua frustração de uma forma que quase nos leva à loucura. Falo por mim, porque a razão de ter lido tanto sobre isto é porque efetivamente estou à beira de um ataque de nervos.

O cansaço físico, emocional, a frustração de não conseguir fazer algo que para a criança seria de uma enorme importância, são alguns dos principais pontos de ignição. Na verdade, se tentarmos perceber que aquele córtex ainda não cresceu o suficiente para saber “desabafar” compreendemos que as reações são as mesmas dos crescidos que também não o fazem. Sim, há muitos crescidos que fazem o mesmo tipo de birras, mas sem se atirarem para o chão a esbracejar e sem preencher o soalho de secreções.

Partindo do pressuposto que a birra está instalada. Quais as estratégias possíveis? E aqui vou reunir algumas das recomendações que resultam connosco. São do movimento parentalidade positiva e da comunidade Babycenter®:

  1. Aproveitem um momento de pausa na gritaria e lembrem a criança de algo que gosta muito “Que tal amanhã experimentarmos aquele baloiço ao pé da escola?” ou “Quem quer lanchar?”
  2. Assumam um tom de voz baixo e calmo. E digam à criança frases curtas como: “Já percebi porque estás chateado.” ou “Estou aqui até te acalmares.” Eu sei que é tão difícil em algumas situações, mas esta resulta mesmo. Sair de junto da criança pode parecer tentador, mas será interpretado como abandono e pode aumentar a insegurança.
  3. Apesar da inquietude que nos assola nesta fase, teremos que ser mais fortes que isso e experimentar gestos de carinho, como um abraço. Às vezes faz milagres.
  4. Tentem mostrar à criança que embora não seja possível fazer o que ela quer, existe uma alternativa. Por exemplo, “Eu sei que gostavas muito de comer aquele chocolate, mas estamos quase na hora de jantar e não vai ser possível. Posso já pôr de parte aquela bolacha para o lanche de amanhã?”
  5. Os mais desafiantes: Nenhum dos pontos anteriores resultou. A criança grita continuamente, bateu no irmão, atirou e partiu coisas. Nesta fase, é importante retirá-la desse ambiente e levá-la para um sítio mais seguro. Explicar: “Viemos para aqui porque magoaste o mano e isso não se pode fazer”.

Dificuldades de um ser humano adulto: (Sou muito forte nesta parte). Estou cansada, com pouca paciência e sinto afincadamente que vou conseguir explicar a uma criança com um cérebro de 2/3/4 anos, que ela não tem razão para estar a gritar perante cereais que tinham leite a menos e agora têm leite a mais. Esqueçam. Não adianta dizer-lhes que os gritos vos incomodam ou vos deixam mais nervosos. Só dá mais poder à birra e contraria o que gostariam que a criança sentisse: que eles são pequenos e que às vezes podem ficar tristes, mas que nós somos crescidos e estamos lá para os amparar.

Concluindo, nada é garantido, mas a continuação ou controlo da tempestade depende em grande parte de quem está a tentar amestrar a fera.

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